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28-06-2002 -
Noticia |
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Segurança 11 -
Conforto V (Chuva) |
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Nenhum elemento é tão
condicionador do conforto e tão facilmente
combatível como a chuva. Há lá sensação mais
desagradável que sentir aquele fio de água a
escorrer-nos pelo pescoço abaixo, ou não ver
nada à nossa frente porque a água se espalha na
viseira teimando em não sair ou a humidade no
interior do capacete causar a formação de
condensação no interior da
viseira?
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E ter os pés ou as mãos
(ou pior, os pés e as mãos) completamente
encharcados e em breve enregelados? Pelo
contrário, uma das sensações mais agradáveis a
quem conduz uma moto é estar completamente seco,
gozar de boa temperatura corporal e de uma
óptima visão debaixo de uma forte bátega.
Ora, este último estado de coisas
consegue-se apenas com um ingrediente – material
adequado. Custa dinheiro? Custa, mas também pode
não custar assim tanto e custa infinitamente
menos que as perdas sofridas por ficar doente
(que é o mínimo) ou por ter um acidente.
[IMG2}Se a visão é a nossa principal
arma na condução, é absolutamente inaceitável ir
a adivinhar o caminho espreitando entre as gotas
que se esparramam na viseira ou as nuvens de
condensação que se prendem ao seu interior. A
viseira para além de estar em estado impecável,
sem riscos nem zonas lixadas, tem de oferecer
bom escoamento de água. Existem truques, desde a
aplicação de batata (corta a batata ao meio e
esfrega-a no exterior da viseira) a certos
produtos específicos, que combatem este efeito
da chuva, criando uma película gomosa ou
gordurosa, não permitindo que a água se espalhe
pela superfície da viseira. Ora, se não espalha
permanece em gota. E a gota de água é pesada. Ou
cai ou é afastada pela força do ar que
atravessamos. É claro que este efeito também se
consegue a velocidades elevadas mas estamos a
falar de velocidades reduzidas. Para o interior
da viseira também existem soluções, desde sprays
anti embaciamento até a uma popular película
plástica que, aplicada com muito jeito, cria uma
câmara-de-ar com efeitos surpreendentes.
Evidente é que nenhuma destas soluções é eterna.
Requerem manutenção – limpeza e reaplicação. E
volto a bater-me pelos capacetes integrais.
Também à chuva nenhum outro modelo oferece
protecção suficiente. Quem utilize óculos na
condução ver-se-á também com a questão da
formação de condensação nas lentes. A aplicação
de um produto anti-embaciante poderá ajudar.
O pescoço continua a ser, a meu ver, a
parte mais deficientemente protegida. O que
protege não é cómodo, o que é cómodo não protege
assim tanto. Trata-se de conseguir atingir o
ponto aceitável do compromisso entre estes dois
factores. Existe toda uma sorte de pescoceiras,
bandanas, lenços e echarpes que se propõem
envolver o nosso pescoço prometendo mantê-lo
seco. Confesso que ainda não encontrei nenhum
que me satisfizesse pelo que a tónica na
protecção continua a ser colocada na gola do
casaco ou blusão que utilizemos.
No que
toca a macacos ou a fatos de duas peças o
universo comercial é enorme. Desde o simples
fato para as obras, em oleado, passando pelas
suas variantes em plástico com design mais
adaptado, até aos fatos de cabedal com algum
isolamento, para acabar nos equipamentos mais
modernos fabricados com tecidos em materiais
nobres e dispendiosos, as possibilidades de
escolha são largas, dependendo estas mais da
carteira do que da vontade. Como em tudo a
escolha do equipamento deverá resultar do
equilíbrio entre a utilização que se lhe
pretende dar e o seu custo, optimizando a
relação preço-qualidade. É evidente que pode
comprar tudo do mais caro para dar apenas uma
voltinha ao quarteirão. É uma óptima escolha e
legítima e é bom sinal porque quer dizer que
quer e pode mas, se tiver de escolher entre
equipamentos médios, o eleito deverá sê-lo tendo
também em linha de conta com o tipo de
utilização que pretende dar-lhe. Isto porque,
qualquer equipamento pode ser bom para um tipo
de utilização próprio. Exemplifiquemos: os fatos
de borracha são de facto à prova de chuva 100%.
Porém, assim como não entra chuva, também não
sai a transpiração e, se a sua utilização for
extensa, corre o risco de ficar todo molhado,
não da chuva mas do suor. Se o fato de borracha
dispuser de um forro interior, já lhe permitirá
um uso mais alargado. Se dispuser, além disso,
de um sistema eficaz de ventilação mais ainda. E
assim por diante até ao topo da gama onde estão
os fatos nos tais materiais que isolam da chuva
mas permitem a saída da transpiração.
Se for do tipo
de utilizador diário, quer faça chuva quer faça
sol e, para cúmulo, tiver como farda de trabalho
o fato e a gravata, o mínimo recomendável será o
fato de borracha ou nylon impermeável com um
forro interior. Se as deslocações que pretende
efectuar à chuva são pequenas, citadinas, ou se
apenas andará à chuva se for surpreendido na
Primavera, então o fato normal de borracha (tipo
obras ou pesca) talvez seja o suficiente. Se
não, convém escolher algo melhor. Como de
costume o que é melhor, normalmente custa mais,
mas, atenção, a etiqueta também se paga. Se quer
comprar de marca arrisca-se a pagar mais do que
o mesmo produto (quantas vezes a mesma coisa mas
com uma etiqueta diferente) de uma sub-marca ou
de outra marca mais modesta. Por outro lado,
confessamos já ter sido surpreendidos com o
preço de um fatinho de gama média de uma marca
popularíssima a um preço mais que acessível.
Procure bem e não se precipite. Não se esqueça
que chuva potencia as quedas pelo que se a
fatiota dispuser de protecções interiores
(joelhos, cotovelos, ombros, coluna), melhor. Se
não, pense em adquiri-las avulso.
As
mãos, se já normalmente devem ser protegidas por
luvas, em situações de agressão maior como a
chuva, mais ainda carecem de defesa. Como para
os fatos o preço pode condicionar a escolha. E
saiba que nenhuma luva anti-chuva é 100%
isolante durante 24 h seguidas. Cada uma é 100%
durante algum tempo até que a sua capacidade se
esgota (é como o amor, é eterno até que se
acaba). A partir desse momento a luva não é mais
que uma esponja ensopada. A medida dessa
resistência à água é que as torna melhores ou
piores. Daí a conveniência na posse de várias.
Cada uma para seu tipo de utilização, a sua
troca atempada pode proteger a mão do frio
extremo que decorre da condução com luvas
molhadas e, consequentemente, de uma perda de
sensibilidade, da perda de concentração e, logo,
a diminuição da incidência de risco de um
possível acidente. Como soluções baratas, já
surpreendemos estafetas com sacos de plástico a
envolver a mão (e os pés também) mas não é
recomendável. Uma sobreluva em borracha
(parecida com as de lavar louça mas mais grossa)
por cima de uma luva normal também é possível
mas enchouriça um pedaço com a decorrente perda
de sensibilidade.
Para os pés,
botas. Existe a solução galocha, em borracha
fina (uma espécie de luva para os sapatos) ou em
nylon, mas não oferecem grande isolamento
térmico. Poderá, neste caso, usar as botas de
Inverno por baixo ao mesmo tempo que umas meias
de lã. Porém, a solução dois-em-um ideal, é a da
bota de Inverno à prova de água. Uma boa bota
deste tipo, não apenas oferece o reforço
necessário ao pé e ao artelho como protege do
frio e da água, conservando toda a mobilidade de
ser apenas uma bota, sem adereços por cima que
se possam prender nos comandos ou resvalar no
piso. Tem um senão, não são dadas. Mais uma vez
terá de efectuar a sua escolha conforme as
possibilidades económicas e o tipo de utilização
que pretenda dar-lhes.
Jorge
Macieira
Advogado, Mediador de Conflitos e motociclista
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